FONTE: VictorLongo
(victor.longo@redebahia.com.br),
CORREIO DA
BAHIA.
Em artigo publicado no The New York Times intitulado ‘O apelo
de um juiz pelo baseado’ (tradução livre de ‘A
judge’s plea for pot’), Reichbach escreveu: “Eu
não previa que depois de ter me dedicado às leis durante 40 anos da
minha vida, inclusive mais de duas décadas para o estado de Nova
York, minha batalha pela cura e cuidados paliativos me conduzissem
à maconha”.
Quando o juiz americano do estado de Nova York Gustin
Reichbach, de 65 anos, descobriu que tinha um câncer no pâncreas em
estágio terminal, há três anos e meio, não foi a primeira vez que a
dor e o sofrimento bateram à sua porta. Anos antes, ele já havia
tido contato com a guerra, quando trabalhou em uma missão das
Nações Unidas no Kosovo, disputado território da península
balcânica, na Europa.
Porém, só com a notícia do câncer Reichbach sentiu a dor e o
sofrimento tão próximos: “Disseram que eu morreria em, no
máximo, seis meses”, recorda.
Ainda vivo, o magistrado faz parte do raro leque de pessoas que
conseguem sobreviver tanto tempo com a doença e causou surpresa ao
afirmar, na quarta-feira, em um dos jornais mais importantes do
mundo, que a maconha tem uma importante participação na sua
superação.
Em artigo publicado no The New York Times intitulado ‘O apelo
de um juiz pelo baseado’ (tradução livre de ‘A
judge’s plea for pot’), Reichbach escreveu: “Eu
não previa que depois de ter me dedicado às leis durante 40 anos da
minha vida, inclusive mais de duas décadas para o estado de Nova
York, minha batalha pela cura e cuidados paliativos me conduzissem
à maconha”.
DORES.
O magistrado americano aproveitou a voz para fazer um apelo ao
governador e aos deputados do estado de Nova York para que aprovem
uma lei, em trâmite na Assembleia Legislativa, legitimando o uso
medicinal da maconha. Segundo Reichbach conta, amigos dele têm se
arriscado para comprar a droga ilegalmente, depois de terem
assistido à sua agonia e sofrimento.
O juiz assegura que a maconha tem funcionado como um medicamento
complementar que ajuda a minimizar os efeitos dos remédios para
reduzir a dor, que levam à diminuição do apetite. Além disso, a
substância o estaria ajudando a reduzir as náuseas e a melhorar a
qualidade do sono, afetada pelas dores constantes e
medicamentos.
“Fumar a maconha diretamente é o único remédio que faz a
náusea dar uma trégua, estimula o apetite e me faz cair no sono
mais facilmente. O sintético oral substituto, Marinol, receitado
pelos meus médicos, foi inútil”, escreveu Reichbach no
artigo.
ALÍVIO.
Segundo o psiquiatra Luiz Fernando Pedroso, do Espaço Holos
Psiquiatria Integrada, o uso medicinal da maconha em pacientes com
câncer terminal já é testado e praticado em vários lugares do
mundo. “A medicina não deve ter preconceitos de cunho moral,
deve pensar sobretudo no bem-estar do paciente. Tudo aquilo que
alivia a dor e o sofrimento é válido. Já vi relatos positivos de
pacientes terminais sobre o uso da maconha”,
afirmou.
Enquanto no Brasil a maconha é ilegal e seu uso medicinal não é
permitido, nos Estados Unidos 16 estados já permitem o uso clínico
da substância, entre eles Nova Jérsei, que fica ao lado de Nova
York, e Connecticut.
De acordo com Pedroso, pesquisas já comprovaram que é baixa a
incidência de dependência química entre usuários da maconha.
“Gira em torno de 3%, enquanto esse número é de
aproximadamente 10% em usuários de álcool”, revela. Ele
acredita que o uso da droga deve ser debatido no âmbito da saúde
mental e sair do âmbito policialesco. “O uso da droga, a
princípio, não faz nem bem, nem mal. O que causa problemas é a
dose. A dose é a diferença entre remédio e veneno”,
disse.
Ele reconheceu, porém, que em doses muito altas, o uso da maconha
produz alterações físicas no cérebro, perdas cognitivas e de
memória, redução da capacidade de raciocínio e empobrecimento do
mundo afetivo e psicológico do paciente.
Comovido com a história do juiz, o membro do coletivo Marcha da
Maconha Marco Magri afirmou que cada vez mais pessoas com idade
acima de 45 e 50 anos estão vendo a maconha produzir efeitos
melhores que os seus remédios e tratamentos de câncer.
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